Eu não te invento mais, realidade.

"Sábado à noite como se os dias da semana importassem. Não importam. Nada parece importar diante um bloqueio infinito e angustiante. Arranco os cabelos. Bebo cafés fortes, fracos, doces, amargos. Coço minha pele já sensível. Bato no peito e procuro saber se ainda me há um coração. Ainda há. Um coração quebrado e pisado por mim mesma que já não sei mais escrever. Os personagens não me procuram mais em minhas madrugadas para me contar suas histórias e seus conflitos. As palavras já não voam mais de meus dedos para o papel. A vida já não é mais escrita por mim. Eu não te invento mais, realidade. Perdi a mão, plutão foi-se embora de meu mapa, a entidade em mim me deixou, a magia se perdeu. A vida foi-se. Bloqueio ficou. Bloqueio. Tela branca. Estou sem tinta e sem dinheiro para comprá-la. Sem vontade de comprá-la. Estou sem tinta, sem criatividade, sem saber mais para onde ir. Perdida na encruzilhada da minha própria história sem fim. Sem fim. O fim chegou e ninguém me contou.

Fico eu aqui com meu bloqueio. Antes ele que ninguém."

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