Para todas as minhas chamas


Te escrevo correndo
Como se me roubasse também meu tempo
Além de meu ar

Te escrevo sofrendo
Te jogando palavras ao vento
Sabendo que o que está preso, não pode se soltar

Te escrevo chorando, meu amor
Arrancando pedaços meus que agora são teus
Palavras voando, todas sem cor
Bloqueios que me fazem clamar por Deus

Te escrevo caindo de altos penhascos
Deixando o chão abraçar minha queda
Volto à terra batendo dentes e cascos
E todos os meus nós, a morte desenreda

Te escrevo porque não sei o que fazer de mim
Sem todo o teu fogo, teu sangue, teu poder
Tenho tanto medo do FIM
Que me jogo grogue no teu escrever

Te escrevo quando és mais forte
Do que tudo e eu
Quando é meu norte
E tudo que fui e o que o mundo perdeu

Te escrevo, minha vida
Porque é o melhor que tenho
O melhor que já fiz
Porque é no que me atenho
O que, no fim, me faz feliz.











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