Lábios Vermelhos


Os lábios são vermelhos
E os olhos estão borrados
Se afasta de outros olhos que servem como espelho
Caminha rápido demais por caminhos errados

As unhas são roídas
E a roupa amassada
Suas passadas são doloridas
Está tão cansada

Ele disse uma vez que a amava
Ela disse “eu também”
Tirou do peito o espinho que machucava
Deu todo amor que tinha até ficar sem

Ele disse “acabou”
Ela sentiu-se acabada
Não esperou, mas ele também não voltou
Algo em seu peito agora pesa, a deixa quebrada

Mas os lábios continuam vermelhos
Beijados e sedutores
Como quem engole ar, engole conselhos
Cospe tudo depois como quem cospe as dores

Os olhos continuam borrados
Desviando-se de outros olhares
Refletindo apenas o passado
Sentindo falta de outros lares

O lar que era o abraço daquele que se foi
O lar que foi a cama, o drama, o poema, o problema
O lar que hoje apenas dói
Pois é ausente, inexistente

Os lábios ainda são vermelhos
E assim continuarão
Podem tirar-lhe tudo
Menos a cor dos lábios
Que refletem apenas o coração

Que sangra
Mas sorri.

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