Você para sempre a corrente no tornozelo me impedindo de voar para muito longe.



Desculpe te avisar, mas a corrente foi há muito tempo cortada, quebrada, arrancada. E foi você mesmo quem o fez. Sou livre agora e você não tem mais o poder de me machucar. Me peguei de volta antes que caísse de vez por esse abismo. Às vezes, ainda cambaleio ali na beira, mas volto a mim... Para bem longe de ti.
Guarde teu “eu te amo”. Guarde tua saudade. Guarde todas as tuas piadas que foram nossas piadas um dia. Guarde teu coração que deve ser algo escuro e sem vida – que jurei ser a coisa mais bela do mundo. Guarde tuas palavras muito mal rimadas. Se guarde, porque voltar aqui, não vai te fazer bem.
Eu estou bem e, ao estar assim, não penso em machucar, não penso em revidar. Cada golpe que me der no rosto, cada golpe que me der na alma, será bem-vindo. Não recuarei. Não me esquivarei. Meu plano nada mais é que te fazer perceber que teus esforços para me abalar são inúteis, assim como minha piedade, assim como minha vontade de te sacudir e pedir que cresça, que seja alguém melhor, que te avise que o mundo é um lugar horrível e que eu não quero que você seja horrível também. Sei também que se te sacudisse agora, seria apenas para remexer tudo que há aí dentro numa tentativa besta de ver se você é real.
Uma tentativa de ver se você não é apenas meu medo de seguir em frente. Se não é apenas minha desculpa pronta para não crescer, para não dizer “eu te amo” de novo para outro alguém. Alguém que realmente mereça ouvir. Talvez você seja apenas um trauma que quis causar em mim, por vontade própria, para me trancar aqui e não me deixar ir para qualquer outro lugar.
Você foi meu suicídio não planejado, ou talvez tenha sido planejado, não sei. Só sei que agora, agora que vejo tudo isso, não quero mais. Eu aprendi a sorrir e você não tirará isso de mim.
Não há medo aqui porque agora vejo que quem me dava medo era você. E eu já sou grande demais para ter medo de garotinhos apaixonados e inseguros.
Te superei."

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