Me deixe aqui queimando em vermelho e sozinha.


"E, pela primeira vez em um ano, posso dizer que estou bem sem você.

[...]  você aparece e me enche de dor novamente, como se soubesse, como se soubesse que agora eu sei sorrir. Aprendi, desculpe. Não, não devo me desculpar por tentar ser feliz, eu sei, mas é que a gente se acostuma a baixar a cabeça e a aceitar o golpe quando sabe que não tem outra opção senão dizer “sim, a culpa é minha, desculpe”. Você vem como veio no início, sem me dar tempo para respirar, forçando, forçando, tentando me fazer rir porque sabe o que me faz rir e que o que me faz rir, me conquista. Até parece que estamos bem, que somos algo de novo, mas não. Não somos. Não temos nada a ver, nada a discutir, nada. Essa palavra deveria me fazer doer, porém não dói. Não dói muito, porque eu não quero nada de ti, não mais. Não venha dizer que me ama, que sente saudade, que tudo era melhor comigo por aí porque eu sei que isso vai passar e você vai mudar de ideia. Você sempre muda. Sempre. Eu acompanhava teu jogo, corria atrás e tentava entender. Eu perdoava. Girava ao teu redor como um inseto encantado pela luz sabendo que se chegar mais perto, queimará e morrerá. Não teria me importado em morrer se você quisesse que eu me aproximasse, e, não me importando, fui queimada. Ainda há cabelos dourados chamuscando em minha cabeça, os cabelos sobre os quais tanto escreveu, os cabelos que espalhei por teu travesseiro em uma tarde que já esqueci. Não, não esqueci, mas estou quase lá. Então, pare. Não, não diga que me ama, não, não diz. Me deixe quieta e sorrindo. Me deixe do lado de fora que é onde eu quero ficar. Me deixe aqui queimando em vermelho e sozinha. Só me deixe de uma vez, por favor, para que eu siga em frente e siga sorrindo.
Sem você. Em paz."

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