E eu vou te esquecendo...



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 E eu vou te esquecendo como a gente esquece dos dias frios de agosto em dezembro, e eu vou te esquecendo como a gente esquece, assim sem querer, de rezar antes de dormir e de agradecer pelo prato de comida... Vou te esquecendo e você vai virando uma promessa, apenas uma promessa que eu esqueço de cumprir. “Começarei a dieta na segunda”, “nada de refrigerante para mim”, “vou parar de beber”... E assim, assim, vou me libertando e te deixando no passado...
Até o dia em que a chuva bata forte contra o vidro da janela e eu sinta tua falta como a gente sente falta da mão da mãe na testa em um dia de febre e gripe, até que eu te queira de volta em uma manhã de inverno em que, não importa o quão pesado o cobertor seja, ainda não será você e todo seu peso sobre mim. Ainda não será seu calor sobre meu corpo frio.
E eu vou te esquecendo, esquecendo, esquecendo... Só por hoje.
E posso fingir que estou curada... Fingir, acreditar, tanto faz.  "

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