Mais uma das cartas.


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Sempre que estou com ele bate certa tristeza porque sei que logo, logo vou ter que devolvê-lo para o mundo. Coisa que não quero. O quero somente para mim, Vida. Quero viver dele e que ele viva de mim. Completamente. Um sendo o ar do outro. A comida. A água. A Vida.
Necessito saber que ele quer viver de mim, porque eu sei que me ama, mas não como eu, porque o que sinto não sei se dá para chamar de amor, já que quero anulá-lo e colocado em mim, por debaixo da pele, para que nos transformemos em um só ser, uma só criatura, uma só vida.
Talvez ele apenas seja saudável e ame saudavelmente e eu daria tudo para amar assim também porque dói amar como amo, se é que amo.
Fico tão triste quando o abraço porque sei que terei de soltá-lo, largá-lo de volta para a vida e o mundo dele, quando eu é que deveria ser seu mundo e sua vida. Eu é que deveria ser cada sorriso dele, e cada lágrima. Eu que deveria ser cada respirar, ou o motivo pelo qual respira.
Eu que sou egoísta e quero as pessoas como se fossem coisas que posso ter embaixo do braço e levar para passear sempre que o céu estiver azul. Eu que o quero só para mim e não ter que dividi-lo com mais ninguém, nem com ele mesmo.
É ciúme que corrói a alma saber que sorri para outras pessoas, que consegue sorrir sem mim. É ciúme que corrói minha pobre alma negra quando sei que ele é feliz... Longe de mim.
Por isso, sou triste mesmo estando com ele, porque não posso chamá-lo de meu. Meu. Meu. Apenas aqueles minutos não me bastam. Eu quero tudo, Vida, eu quero tudo e por inteiro.
E para sempre.


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