Minhas mãos doem
Por tanto puxar aquilo que já não é meu
Minhas mãos doem
E eu continuo arrancando as pedras do caminho

Cavando minha própria cova

Onde você me enterrará para sempre
No fundo da tua mente

Me esquecendo.

Minhas mãos doem
Mas eu ainda aponto para as estrelas
Querendo tocar o céu

Minhas mãos doem
Mão que já saltou
Que esnobou
Mas que teu suor já secou

Minhas mãos doem
E minha língua está morta na boca
Porque sente falta do teu gosto
Da tua saliva quente contra minha pele

Meu corpo dói de saudade
De tanto esforço
De tanto sonhar que não se realiza
De tanto trabalho para continuar de pé

Apesar dos teus golpes duros
Apesar dos cuspes no rosto
Apesar da vida me puxando para baixo

Eu continuo de pé
Mas minhas mãos são doloridas
Cicatrizadas
Ressabiadas
Machucadas por teu toque

Queimadas

Assombradas

E elas doem, ah, Deus, como doem...

Me deixe então repousar minhas doloridas mãos
No teu rosto
No teu colo
No teu coração

E dormir em paz.

Em paz.

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