Nua.


Puxe os grampos no meu cabelo
Delicadamente, me solte dessa prisão

Arranque de meu pulso o relógio que nunca tiro
Achando que posso controlar o tempo

Lave a maquiagem em meu rosto
Que sempre mascara a dor em meus olhos

Estrale esses meus dedos tão rígidos
Que se agarram com força a algo que já não posso segurar

Desvire minhas meias sempre trocadas
E me dê um café com açúcar e não adoçante

Apague esse sorriso em meus lábios
Com um beijo
Porque você sabe que é um sorriso falso
Todos os meus são assim

Eu posso brilhar
Mas você sabe que eu sou apagada
Vazia
Morta

Sou uma estrela num céu nublado
Afaste as nuvens pra me ver
E me puxe lá de cima
Arranque esse meu controle
Me tire do ar

Porque os grampos me machucam
O relógio pinica a minha pele
A maquiagem me esconde
Os dedos rígidos não conseguem te escrever um poema
E as meias trocadas já não me trazem sorte
E o café com adoçante não é tão doce quanto seu sorriso

Nunca falso pra mim
Nunca de mentira

Então, me salve...
De mim.

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