Meu Sangue


Meu próprio sangue não me assusta
E é isso que me assusta
Acabo de ler algo sobre saber quando a sua Hora está para acontecer
Não sei se quero saber

Ou se já sei

A cor do meu sangue não me assusta
Vermelho-sangue que tão caro me custa
Que sai de mim como algo ruim
Que tinha mesmo que sair

Não sei se quero que fique por dentro
Acho que vou cair
Adaga que crava bem no centro
Que me segurem aqueles que podem me ouvir

Meu sangue que pinga no chão muito branco
E meu coração, muito franco
Diz que está cansado de bater
Minha mente, cansada de viver

E eu cansada de tentar esquecer
O que só respira em mim
Queria voltar a ler, a escrever
Talvez ter coragem de colocar um fim

Mas na última página, eu durmo eternamente
Descansando descaradamente
Implorando por algum toque decente, quer dizer, indecente
Qualquer abraço quente

E o sangue que verta pra fora de mim
Derrama em ti o meu amor
Não posso ficar pra sempre assim
Vivendo dessa dor, chorando em estupor

Derramo em ti todo meu vermelho
Desejando que assim, possa esquecê-lo
Mas o reflexo no espelho
Não me dá bons conselhos
Vou te lavar do meu cabelo

E tacar sal na ferida aberta do meu coração.

0 Comentários: