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Me perguntei quem eu sou. Não soube responder.
Porque eu não sou aquela menina de sorriso fácil que os pais conhecem. Não sou aquela menina das respostas rápidas e cheias de irônia que os amigos aturam. Não sou aquela cheia de tato e carinho que muitos pensam que eu sou.
Isso é só parte de mim, mas sinto que é uma parte tão, tão pequena... Porque parece que minha personalidade é grande. Eu sou grande. E com sérios transtornos de humor.
Me sinto hoje tão sonhadora... Espero que isso não faça de mim alguém com a cabeça nas nuvens.
Sempre tive os pés no chão.
Sempre fui a mais madura. A "responsável". A irmã mais velha. A filha que entende e obedece.
Queria saber onde eu me perdi. Ou se mudei porque cresci.
Porque de um tempo para cá, fiz escolhas que nunca condizeram com o meu jeito de ser. "O que, a Marcia? Não, ela sempre foi tão esforçada..."
Não mais.
Parece que eu perdi o brilho. Eu me senti assim...
Mas hoje, um dia antes de completar meu aniversário de dezoito anos, sinto esse brilho voltando para mim. São 8:10h da manhã, não entendi porque acordei tão cedo... Acho que é a tensão... O medo do futuro... É um frio na barriga tão frio que me deixa enjoada.
Sabe como é ter por que sonhar? Sabe como é a sensação de se agarrar a algo tão forte que você acha que nunca mais vai soltar? Você não quer soltar? Você sabe?
Eu estou assim hoje. Agora.
Estou agarrada num sonho. Segurando com minhas forças. Um sonho que logo no início me custou lágrimas e noites em claro.
Hoje são só noites em claro. Mas não de medo e sim de ansiedade. Falta tão pouco!
Sei que os meus dezoito anos vão ser bons. Sei que serei uma Marcia muito diferente dessa Marcia apagada que eu tenho feito todo mundo conviver nos últimos dois anos. Uma Marcia, não apenas mais adulta, mas também mais, bem mais feliz me aguarda.
Esse ano não tive aquela epifânia que eu tive ano passado... Uma epifânia que foi só fumaça...
Acho que era falta de sono.
Sinto cheiro de coisa boa. Não é o cheiro do dia, nem o cheiro da noite.
É esperança.

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