Queria escrever algo que significasse alguma coisa
Que tocasse seu coração
Que te fizesse chorar ou até mesmo apenas se lembrar
Daquela época onde corríamos na contramão

Mas eu não sei escrever coisas verdadeiras
Eu vivo de ficção
Minhas palavras não são inteiras
Elas têm medo de ação.

Só sei dizer – e repetir – que sinto sua falta
Como se isso te trouxesse para perto
E enquanto espio a cidade da janela mais alta
Percebo que contigo nunca foi certo.
Eu sempre fui a errada.

Eu compliquei
Eu fui infantil
Eu escapei
Eu fui a mais difícil

É que me divertia te ver correndo atrás de mim
Eu gostava de ser o imã e você a moeda enferrujada
Mas nunca mais foi assim
E o amanhã parece trazer com ele a certeza de que eu continuarei nesse conto de fada

Onde eu sou a madrasta malvada
Você o plebeu que nunca esqueceu
Da princesa aprisionada
Que nunca te convenceu

E hoje eu mudei
Eu sei
E hoje eu sei que está errado
Viver do passado

Mas eu sinto falta de escrever coisas reais
Sem esses meus personagens sempre tão iguais
Banais.
E aqui da janela mais alta
A cidade parece grande demais

Acho que nunca vamos nos encontrar...

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