E eu...

E eu grito às paredes que ninguém me entende
E eu soco o travesseiro que não me dá conselhos
E eu rôo as unhas que não me arranham o suficiente para me fazer sentir dor, sentir alguma coisa
E eu puxo os cabelos que insistem em tapar minha visão, que me atrapalham e mostram o quão cega posso ser

E eu jogo o celular longe, esse que pra qual ele nunca liga
E eu reviro os livros que não me levam longe o suficiente para me fazer esquecer da vida real
E eu canto os refrões gritados das músicas que drogam minha mente e me mentem

E eu como as sobras do que um dia foi um amor que acabou tão depressa
E eu tomo a água que seca ainda mais minha boca machucada, infectada por teu hálito... Que eu sinto falta.
E eu corto pedaços de carne que um dia chamei de corpo
E tento despedaçar também minha alma. Em vão.

E eu jogo vaidades pela janela, coisa inúteis que me embrulham o estômago.
Acho que é saudade.
E eu bato o pé tentando parecer decidida. Pareço criança, eu sei.
E eu rasgo fotos que me fazem sorrir

E eu choro soluçando como se isso fosse mudar alguma coisa
E eu brigo com todos como se eles tivessem culpa
E eu me mordo por ser tão estúpida e boba...
Acho que é a mesma coisa.

E eu escrevo coisas rimadas contando segredos inventados
Porque eu nunca senti algo assim:
Que me nublasse a visão, que acelerasse meu coração...
Falei que gostava de rimas.
E eu me escondo no banheiro com o rosto vermelho
E eu fujo de cidade a cidade
E eu corro, corro, corro tanto... Pra chegar a lugar nenhum
E eu não durmo o suficiente para morrer
E eu durmo o suficiente para deixar de viver

E eu beijo pessoas erradas só pra me sentir culpada
E eu mando recados idiotas apenas para ter atenção
E eu chamo todos eles de crianças quando a criança sou eu...
Eu não cresci.
E eu ainda tenho medo de palhaços e máscaras
E eu não quero saber o que tem embaixo da cama.

E eu fujo da escola como se lá estivessem todos contra mim
E eu continuo paranóica e olhando por cima do ombro
Tem gente me seguindo, eu sei.
E eu...

E eu vou parar por aqui antes que você jogue tudo isso contra mim.
É o que eu quero que você faça...

0 Comentários: