POR QUE ESCREVO POEMAS?


Já me perguntei milhões de vezes como, quando e porquê comecei a escrever esses poemas que aqui mostro.
E as respostas?
Ah! Para falar a verdade não me lembro do meu primeiro poema, nem sobre o que era ou em que ano me encontrava... Mas de uma coisa tenho certeza:
Eu precisava de libertação.
Isso mesmo, libertação... Precisava liberar sentimentos frustrados, sofrimentos escondidos, precisava liberar pensamentos angustiantes e liberar minha criatividade irritante e mimada.
Me lembro pouco dos primeiros poemas, lembro que não haviam rimas ou as poucas que tinham eram as de sempre : “mim com fim, mão com coração”
Lembro de escrever poemas para o meu gato, para meu cachorro e que todos os meus poemas levavam o nome de algum objeto: A Porta, A Gaveta, O Lápis e A Caneta...
Esse era algo como um costume meu... Que perdi também não sei como nem porquê.
No principio, meu poemas refletiam aquilo que eu queria “jogar para fora”... Com o tempo, minha confiança se rebelou e comecei a relatar o que via acontecendo ao meu redor, como os sentimentos conflitantes de pré-adolescente das minhas amigas... Depois de um tempo, eu comecei a criar histórias, inventei romances lindos, romances feios e fins de romance...
E encarno bem esse papel... Esse de menina estupidamente apaixonada, de pessoa que foi abandonada pela tal pessoa amada...
Perdoe minhas rimas... Elas vêm sozinhas quando escrevo...
Hoje é raro quando coloco meus verdadeiros sentimentos nas palavras... Me sinto uma farsante, mas assim que é...
Invento amores e tudo parece real... Tudo tão conflitante e bonito... Tão diferente de tudo aquilo que vivi ou vi...
E como sei que faço certo?
Simplesmente não sei e isso é o que parece certo...
Faço com que acreditem em mim, nos meus sentimentos, no meu choro, na minha confusão ou até mesmo em meu gélido coração...
Mas esses seres não são parecidos comigo, eu não sou nenhum deles, eles não são eu...
Em cada poema trago um personagem diferente, mas às vezes eu os repito...
Tem aquela menina que tem um amor platônico...
Tem aquele cara que não quer amor e só diversão...
Tem aquela mulher que já amou demais e agora não quer mais nada...
Tem aquele rapaz tão abobadamente apaixonado que até gagueja...
E tem aqueles que sofrem de uma escura depressão, que buscam respostas a todo tempo, que filosofam junto com a aurora... Que são tão sobriamente alcoolizados que chegam a ser adoráveis... Porém esses me assustam.
Posso dizer que trago comigo um pouquinho de cada um...
A imagem de um “príncipe num cavalo branco” da menina que tem um amor platônico...
A falta de paciência do cara que não quer amor e só diversão...
A descrença da mulher que já amou demais e agora não quer mais nada...
A estupidez e a timidez do rapaz tão abobadamente apaixonado que até gagueja...
E trago um pingo de escuridão daqueles que sofrem de uma escura depressão, que buscam respostas a todo tempo, que filosofam junto com a aurora... Que são tão sobriamente alcoolizados que chegam a ser adoráveis... Daqueles que me assustam...
Cada personagem ganha forma sozinho, são tão vívidos ao nascerem das pontas dos meus dedos que chego a ter medo de machuca-los ou de não lhes fazer justiça.
Eles são tão independentes...Só precisam das minhas rimas...
São tão arrogantes que às vezes quero perdi-lhes um pouquinho de atenção... Não me darão...
Estão sempre tão concentrados em me relatar suas histórias, seus amores frustrados que nem me dão bola...
Você pode estar achando que eu sofro de algo como “múltipla personalidade”... Mas não...
Só deixo que esses personagens aluguem meu corpo sem pagamento por alguns minutos enquanto escrevo...
Não... Também não tem nada a ver com espiritismo...
Sim... Tem tudo a ver com mentiras, farsas e encenação.
E sabe o que é o mais legal nisso?
Eu adoro isso!
Adoro não ser eu mesma durante meia hora...
Adoro amar completamente uma pessoa inventada e chorar por isso como se ela existisse.
E adoro ainda mais estar gritando de raiva na outra meia hora, quando sou uma pessoa cansada de estar sendo enganada pelo mundo ou pela pessoa amada...
Talvez seja isso que os atores vêem de tão mágico na encenação...
Mas eles não têm o poder que eu tenho...
Ou que penso ter...
Eu posso amar completamente alguém por motivos inventados que parecem ser reais, como também posso estar completamente irritada com pais que não existem e com amigos que nunca conheci...
Posso escrever um diálogo de amor pedindo a volta daquele que amo com tanto ardor, sendo que jamais o conheci e que esse amor nunca vi...
Posso relatar meus choros sem lágrimas e posso repassar horas de amor que nunca vivi...
E sabe o que é melhor?
Posso fazer com que você acredite em mim...
Em que realmente estou apaixonada... Em que realmente me sinto confusa e perdida... Em que realmente o cara que eu amo é perfeito... Em que realmente esse mesmo cara sumiu ou me trocou por outra...
É isso que mais gosto em escrever poemas...
Em ser várias pessoas ao mesmo tempo e não ser realmente ninguém...
Em poder ter quinhentos pensamentos ou sentimentos num mesmo corpo e nenhum deles me pertencer...
E sabe por que eu ainda escrevo? Depois de sei lá... Oito, nove anos?
Por que eu ainda busco libertação...
Ainda procuro uma forma de liberar todos esses sentimentos inventados, de todos esses contos relatados e nunca vividos por mim...
E o melhor ainda é quando alguém chega e me diz:
“É como se eu tivesse lido meu diário... Ou como se você estivesse lá naquela hora... É exatamente assim como me sinto”
Quer dizer que toda essa minha farsa, essa minha mania de invenção é certa...
Que eu acerto...
E como todo mundo, eu adoro acertar...


ACHO QUE É HORA DE DAR TCHAU! (:


PS:'Sim, a foto não tem NADA a ver com o post...mas sou narcisista e amo essa foto, babyy!'

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