Coração Que Raciocina


Coração Que Raciocina


Seria fácil ignorar os protestos do meu coração
Quando você se aproxima
Pois ele sabe que você me magoará e apenas tenta fazer com que eu veja tudo com a razão
Pobre coração! Não percebe que a paixão, como um tufão, passa por cima?
Meu coração protesta pois sabe que a dor está próxima
E o que me resta não serve de nada, é insuficiente
Assim como eu sempre fui aos olhos teus
Mas acha que mesmo assim eu saio de perto notando o perigo iminente?
Meu corpo sequer protesta com a aproximação, não sei se esqueceu
Mas será que se lembra do meu desejo doente que antes lhe parecia quente?
Eu nem me seguro nos próprios pés, enfraqueço de modo visível
Quero tanto saber o que é e isso me parece impossível
Uma meta que me espeta, me impulsiona a fazer loucuras querendo chegar a lugar nenhum
Uma atitude patética, é, eu sei
Mas o que posso fazer se não expressar meus sentimentos de forma poética e dizer que eu tentei?
É eu tentei
Tentei me controlar e te esquecer
Tentei parar e retroceder
Tentei dar dois passos para trás, perdi o compasso e perdi também a paz
Pois foram teus braços que me deixaram longe do chão, que me seguraram
Foram os mesmos braços que me apertaram com paixão, que a razão me negaram
E foram teus lábios que se apossaram do meu corpo, do meu coração e da minha alma
E de novo me fizeram perder a calma, me fizeram cair num mundo dolorosamente excitante e viciante
Desenhei em tua palma uma flor com meus lábios, desencadeei em tua alma um amor distante
Inexistente
Culpa minha?
Desculpe, não sou advinha
Nunca supus que depois disso me deixaria sozinha
Você sim é o culpado, viciou minha mente e meu corpo em você
Só meu coração parece ver com a razão
Pois quando você se aproxima ele pulsa, pulsa feito trovão
Alertando o perigo
Mas por que teu olhar tem que me parecer tão amigo e teu sorriso convidativo?
Droga!
Não sei qual jogo joga, mas quando me toca todos meus medos vem a tona, você os desafoga
Meus segredos se tornam uma zona e dos meus dedos a paixão se adona
E como um crente que a Deus roga, eu me perco em você e naquilo que você diz ser prazer
Pois para mim é doloroso, pois sei que depois estarei a mercê da solidão
Enquanto meu corpo dolorosamente procura a solução e minha boca implora por algo que não sei dizer do que se trata
Dentro de mim estoura um vulcão e  saber que estamos chegando ao fim me mata
Mas enquanto luto para ter de volta minha respiração
Sinto teus dedos se fecharem nos meus
E durante esse momento em que batalhamos até a compostura
Admito uma loucura e posso fingir com bravura que você é meu...
Apenas fingir... mas quem disse que eu também não sei mentir?

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