Seis e trinta e dois da manhã

Seis e trinta e dois da manhã

E de repente me sinto inseguro
Estaria o destino contando os segundos para me pôr em apuros?
É como se um mau pressentimento se apossasse do meu peito
Como se eu merecesse sofrimento por algo mal feito

Bem feito

A aurora bate na minha janela
E o sono não se rebela
A consciência me quer apenas para ela
De uma maneira nenhum pouco singela

É direto?

O cheiro do travesseiro me parece errado
Não traz lembranças do passado
Me sinto esgotado
Mentira, me sinto vazio e assim congelado, para sempre?

Mas quem é perfeito?

Os sons da manhã
O aroma do dia
Minha mente não sabe o que é ser sã
E se soubesse não reconheceria

Não tenho mais jeito

Me jogo então num nada
Num mundo perdido de palavras repetidas
Palavras ensaiadas
Palavras sem vida

E o que há no meu peito?

Estar inconsciente
Querer congelar o quente, se sentir onipotente
Dormir sem sonhar
Sonhar sem conseguir acordar, amar sem chorar, chorar sem amar

Prepare meu leito

Desisto de mim
E de tudo que me envolve
Desisto sim
Porque desistir não resolve

Não, conselhos-esmolas não aceito

Largo tudo de mão
E fujo por ai
Vou compor outra canção
E levantar porque caí

Porque não há nada mais a ser feito...

É Hora de Dar Tchau ! (:

0 Comentários: