Mudanças


Hoje(27/11/09) faltando um mês para o meu décimo sétimo aniversário, me sinto adulta e sei que não é um sentimento imaginário.
Me olhei no espelho, uma noite sem dormir, ainda usando as roupas de ontem, analisando a tinta loira que sai de meu cabelo e me julgando burra quando inventei de tingir...
Eu tinha um cabelo incrível e estraguei tentando parecer mais velha, quatro anos atrás.
Nos meus olhos os sonhos adolescentes não vejo mais, e não se isso me torna uma pessoa amarga ou pessimista, só sei que hoje os meus olhos vêem tudo como uma chance de conquista.
E não falo de conquistas amorosas, isso não me chama atenção, quero coisas grandiosas, e isso não tem nada a ver com paixão.
Bom, talvez tenha...
Paixão por aquilo que quero provar a mim mesma, pois sei que sou capaz, e hoje me olhando e analisando não contive a vontade de dizer: “olha o que tempo faz!”
Não reconheci meus olhos, eles não são os mesmos que vi quando completei quinze anos, eles ainda têm a mesma pureza escondida, prestes a ser corrompida, mas mudaram-se tanto os planos, os meus planos, o plano que a vida tem de mim e sei que posso fazer tudo dar certo, posso sim.
Na minha pele ainda têm espinhas, mas não me importo mais com elas, lembro de ficar me lembrando que espinha é algo que todo mundo tinha, quando eu tentava desesperadamente não ser aquela, aquela que se preocupa apenas com a aparência e se esquece da verdadeira essência.
Hoje me sinto segura, como se eu pudesse fazer qualquer coisa, meu coração bate com tanta fúria que não sei o que ele está esperando para explodir e o que meu corpo espera para começar a agir.
Enquanto os primeiros raios de sol atingiam a minha pele, me senti purificada, e mesmo que nada demais um aniversario sele, eu sei que hoje estou renovada.
Agora o tempo mudou, as nuvens cinzas cobrem o céu, não me deixam mais a visão dourada que tanto gostei, o sol não me faz mais cócegas e eu percebo que  mudei.
Antes eu amava essa coisa sombria que vinha antes da tempestade, hoje quero sol e sol de verdade.
Quero queimar minha pele até ela arder e quero rir sem saber porque.
E sabe o que sinto?
Eu sinto liberdade.
E por incrível que pareça, não estou medo, não, não minto, nem guardo segredo...
A adrenalina se espalhou pela minha corrente sanguínea e eu tenho que agir, tenho que correr, mostrar ao mundo que eu vou conseguir, que eu vou vencer.
E não por eles, nem por ninguém, apenas por mim.
A sensação de medo que esteve dentro de meu peito esse ano inteiro sumiu como a noite, e eu me sinto forte e isso é tão real e verdadeiro que o único medo que sinto nesse momento é de deixar isso cair por entre meus dedos.
Andarei com as mãos fechadas.
E os olhos bem abertos.
Farei de minha vida uma longa e bela jornada.
E não terei mais medo do incerto.
Não sentirei mais saudade, não sentirei mais angustia nem raiva, aceitarei a vida como ela tem que ser, pode haver maldade que ninguém salva, mas eu farei o bem.
O meu bem.
Para que ficar trancada num mundo onde só você vive?
Há tanta coisa lá fora.
E quer saber?
Não tenho mais medo de conhecer.
Pelo menos não por agora.
Algo aqui dentro me diz que o tempo me trará surpresas.
Eu sempre odiei surpresas, mas agora estou animada e não assustada, sempre podemos virar a mesa e encerrar a jogada, é só dizer pare.
Mas nesse momento o que menos quero é parar, quero correr e até mesmo gritar, gritar os gritos que estão presos na minha garganta há dezessete anos, gritar é coisa de adolescente, então eu quero apenas afirmar como a vida fez de mim uma pessoa diferente.
E pouco me importa quem se prestará a me ouvir, quero mais é sentir...
Sentir tudo aquilo que me foi negado, que eu neguei.
Quero parar de pensar no passado que eu mesma trilhei, e sei, ah eu sei, eu desperdicei.
Desperdicei sonhos e tempo por medo e não nego mais isso.
Tive medo sim de errar, tive medo sim de não ter como consertar, de me consertar.
Me protegi demais e nas horas erradas fui imprudente, falei demais e nas horas certas fui ineficiente.
Agora me sinto com coragem de reconhecer meus próprios erros e não quero culpar alguém, mas não me permitirei mais falhas, mesmo sabendo que ninguém atinge a perfeição.
Pois o que me parece perfeito pode ser errado e feio para você.
Pois o que não me parece direito pode ser seu exemplo de perfeição.
Uma palavra, várias visões, nenhuma formada opinião.
Como capricorniana sou exigente e sendo eu, sou ainda mais exigente com aquilo a minha volta, sou exigente comigo e com tudo aquilo que se solta.
Pois o que se solta pode bater e machucar, mas você prefere preso?
Só espero que saiba como sair ileso.
Não espero mudanças bruscas, algo que me faça chorar e que me choque, quero continuar com essas minhas buscas, essas que faço sem parar ao som de roque, essa busca incansável e chata pela felicidade, pela minha felicidade.
Olhei para as minhas revistas coloridas, que graça que eu achava nesses conselhos ditados por mulheres que acham que entendem meninas adolescentes?
O que elas tem que saber se aprende em vida, não em páginas enfeitadas com príncipes encantados inventados, hoje acho tudo isso deprimente.
Mas não achava aos doze quando colecionava, quando esperava aflita pela próxima edição, quando eu acreditava que as minhas respostas estariam ali entre as letras cor de rosa, quando as respostas estiveram sempre apenas em meu coração.
Penso em coisas que considerava importantes quando tinha treze, hoje elas não passam de bobagens, e onde eu estava com a cabeça quando me joguei com tudo em amores que estavam apenas de passagem, quando desisti de viagens?
O perfume que eu usava mudou, antes era forte e marcante pois sempre gostei de parecer mais forte e confiante do que eu realmente era, hoje uma fragrância cítrica me encantou, me faz lembrar da primavera.
Minhas palavras eram tímidas e contidas, hoje minhas palavras são rápidas e ainda tímidas, mas não medrosas, não tenho mais medo de falar o que quero, mas aprendi a reconhecer a hora certa, assim espero.
Me acostumei com meu corpo, mas ainda brigo com ele constantemente, não quero aparentar ter aquilo que não tenho, e ainda acho que poderia ser diferente, mas não mais me envergonho.
Aprendi a escolher minhas amizades e dar chances àquelas pessoas que não são como eu, sei também lidar com falsidade, pois as que sofri, meu coração não esqueceu.
Aprendi também a dar valor àquilo que vale a pena, e a levar a sério o que considero útil, nem tudo merece uma cena, mas nem tudo é fútil.
Continuo escrevendo o que sinto, mas não em diários como fazia quando tinha dez, nos meus poemas ainda minto, criando amores imaginários que me fazem andar na ponta dos pés.
As mesmas músicas ainda me fazem feliz, ainda tem o poder de me emocionar, mais por motivos diferentes:
Hoje sinto saudade daquilo que vivi e fiz, mas não me fazer chorar, deixam meus pensamentos inconscientes.
Talvez daqui um ano eu venha aqui e desdiga tudo isso, talvez daqui um ano eu tenha virado uma rebelde que ainda não saiba assumir compromissos, talvez ano que vem eu ainda tenho medo do sol quando aparece, talvez ano que vem eu ainda estejam me perguntando “ por que você não cresce?”.
Mas acho que não, sinto aqui dentro, aqui no coração, que já estou no caminho certo para me conhecer como pessoa, e considero isso uma noticia boa.
Mas até lá, ainda posso errar e me perder no meio da estrada, caindo em ruas escuras com casas abandonadas, mas sei que posso estacionar a hora que eu quiser e descansar no acostamento, enquanto decido o que a vida de mim quer e o que espera o tempo.
Mas posso dizer também que não tenho medo.
Tanto quanto posso dizer que para falar ainda é cedo...



É hora de dar Tchau!

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